O Papanicolau, também chamado de colpocitologia oncótica, é um exame simples, rápido e essencial para a saúde ginecológica da mulher. Ele é a principal forma de rastreamento do câncer do colo do útero, que pode ser silencioso nas fases iniciais - por isso, a prevenção é tão importante.

Neste post, você vai entender quem deve fazer o exame, com qual frequência, como se preparar e o que esperar do procedimento.


Para que serve o Papanicolau?

O exame tem como objetivo principal identificar alterações nas células do colo do útero que possam evoluir para um câncer, lesões pré-malignas causadas pelo HPV (Papilomavírus Humano). 


Quando devo começar a fazer o Papanicolau?

De acordo com o Ministério da Saúde e a FEBRASGO, o rastreamento deve iniciar:

  • A partir dos 25 anos para mulheres que já tiveram atividade sexual.

  • Deve ser feito anualmente nos dois primeiros exames consecutivos.

  • Se os resultados forem normais, o intervalo pode passar a ser de 3 em 3 anos.

⚠️ Importante: mulheres que nunca tiveram relação sexual não precisam realizar o exame. E após os 64 anos, ele pode ser suspenso se os dois últimos exames anteriores tiverem sido normais.


Como se preparar para o exame?

Para que o resultado seja mais confiável, recomenda-se:

  • Não estar menstruada no dia do exame

  • Evitar relações sexuais nas 48h anteriores

  • Não usar duchas vaginais, medicamentos ou cremes vaginais por pelo menos 2 dias antes

Esses cuidados ajudam a evitar alterações no material coletado, garantindo um laudo mais preciso.


O exame dói? Como ele é feito?

O Papanicolau é rápido e dura poucos minutos. A mulher fica em posição ginecológica e o médico introduz um espéculo (o famoso "bico de pato") para visualizar o colo do útero. Com uma espátula e escovinha, são coletadas amostras de células, que vão para análise em laboratório.

Pode causar um leve desconforto ou pressão, mas não deve causar dor intensa. Caso isso ocorra, é importante avisar o profissional que está realizando o exame.


E se o resultado vier alterado?

Nem todo resultado alterado significa câncer. O exame pode indicar infecções, inflamações ou alterações celulares leves, moderadas ou graves. O passo seguinte depende do tipo de alteração, e pode incluir:

  • Repetição do exame

  • Colposcopia (exame com lente de aumento)

  • Biópsia do colo uterino

O mais importante é seguir o acompanhamento indicado pelo ginecologista.


Um exame simples que salva vidas

O Papanicolau é responsável por reduzir drasticamente os índices de mortalidade por câncer de colo de útero nos países onde é realizado de forma rotineira. Mesmo sendo um exame de rastreio, muitas mulheres deixam de fazê-lo por medo, vergonha ou desinformação.

Se já faz mais de um ano desde o seu último exame, ou se você nunca realizou, procure seu ginecologista e cuide de você!


Referências

  • Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Rastreamento do câncer do colo do útero. Manual FEBRASGO, 2021.

  • Ministério da Saúde. Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero – 2ª edição, 2016.

  • American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Cervical Cancer Screening. Practice Bulletin No. 168, 2016.